O que é hiperfoco no autismo?

Você sabe o que é hiperfoco no autismo? Ao contrário das simples paixões, eles representam uma forma única de concentração profunda e prolongada em um tema específico. Imagine mergulhar de cabeça em um oceano de conhecimento, perdendo a noção do tempo, alimentando sua mente com uma fome insaciável de informação sobre aquilo que você ama.

Não são apenas uma característica, mas um ponto de partida para o autodescobrimento e para explorar todo o potencial criativo que reside dentro de cada indivíduo no espectro autista. Vamos entender melhor?

mulher pintando

Quais são os hiperfocos da pessoa autista?

Os hiperfocos são comuns no autismo. Alguns deles tem sido estereotipados, levando a visões limitadas sobre a diversidade desses interesses. Aqui estão alguns exemplos dos hiperfocos mais associados aos autistas: 

Matemática e Ciências: Muitas pessoas acreditam que todos os autistas são bons nas áreas de exatas ou biológicas. 

Informática e Tecnologia: Muitos propagam a ideia  que todos os autistas são talentosos em informática e tecnologia.

Listagem ou Categorização Excessiva: Acresitar que todos os autistas têm um hiperfoco em listar ou categorizar informações obsessivamente.

Transportes ou Mapas: Associar todos os autistas ao hiperfoco em transportes, mapas ou horários.

menina estudando

Todo autista gosta da mesma coisa?

Apesar de muitas pessoas autistas possuírem os mesmos interesses, eles não se aplicam a todos. É importante desafiar estereótipos e entender que a diversidade de interesses reflete a diversidade dentro da comunidade. 

A crença que pessoas autistas apenas são boas em exatas, biológicas ou tecnologia também prejudica muito o diagnóstico de mulheres, principalmente as com veia artística. Lembrando que meninos também podem possuir esses interesses, no entanto, estamos abordando a visão padrão da sociedade e como ela pode prejudicar a identificação do autismo.

Quais são os hiperfocos da menina autista?

Animais e Natureza: Muitas menina desenvolvem hiperfocos em animais, observação de pássaros, botânica ou natureza em geral.

Literatura e Escrita: Algumas meninas autistas tem facilidade em se expressar por meio das palavras, com habilidade em literatura, escrita criativa ou poesia.

Artes Visuais: Hiperfocos em pintura, desenho, escultura ou outras formas de expressão artística.

Música: Tocar instrumentos, compor ou explorar diferentes gêneros.

História e Cultura: Algumas meninas autistas têm um fascínio intenso por história, arqueologia, culturas antigas ou estudos culturais.

Linguagem e Línguas: Hiperfocos em linguagem, gramática, aprender línguas estrangeiras ou construção de palavras.

Dança e Movimento: Hiperfocos em dança, movimento corporal ou expressão física são interesses que algumas meninas autistas desenvolvem.

Relações Sociais e Dinâmicas: Algumas meninas autistas podem ter um hiperfoco nas dinâmicas sociais, estudando comportamentos e relações, até mesmo hiperfocando em pessoas específicas que convivem ou admiram, aprendendo tudo sobre elas.

Sou muito fã de um artista, posso ser autista por isso?

Sim! Muitos especialistas, ao diagnosticar meninos, utilizam o fascínio por carros ou esportes (associados culturalmente ao mundo masculino), como um dos indícios de TEA. Uma menina apaixonada por moda ou pela Taylor Swift pode não receber o mesmo tratamento, tendo essa característica reduzida a “coisa de menina”.

menina dançando ballet

Quando falamos de estereótipos no autismo, o assunto pode ser muito mais complexo do que parece. As áreas de exatas e biológicas são supervalorizadas na sociedade e crianças que demonstram essas habilidades recebem maior destaque, pois recebem notas altas na área escolar. Isso, associado ao estereótipo de alta dotação que pessoas autistas recebem, pode fazer com que aqueles com talentos artísticos (independente do gênero) passem despercebidos.

Uma criança que aprende tudo sobre a história dos contos de fadas, não recebe o mesmo tratamento. Não há matérias escolares para comprovar essa habilidade, e ela passa despercebida. Muitas vezes, essa criança recebe notas baixas no currículo escolar tradicional, pois não é algo de seu interesse. 

A falta de diagnóstico para a mulher autista é um problema de gênero? 

Um médico irá perguntar se uma criança possui fascínio em enfileirar ou empilhar seus carrinhos. Ele pode não perguntar, no entanto, se aquela criança organiza seus sapatos de boneca por cor. 

Como uma menina, que desde o nascimento recebeu apenas brinquedos considerados femininos, poderia possuir foco em carros? 

Tem mais meninos que meninas autistas?

Segundo o site neuro+conecta há 1 menina autista, para cada 4 meninos e, por isso, o autismo é representado pela cor azul. Mas como mais meninas serão diagnosticadas cedo, se o mundo que elas foram introduzidas no nascimento não entram nas avaliações? Devemos colocar luz no fato dos interesses da pessoa autista serem variados e existirem infinitas possibilidades, avaliando cada paciente de forma individual.

menina estudando
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